quarta-feira, 5 de maio de 2010

"No glory..."

sexta-feira, 23 de abril de 2010

De André Raimundo http://sequela.arteblog.com.br

SUBSTRATO CINCO:



Pintura como arte:



A pintura começa no pensamento. Processa-se no intelecto e encontra na escolha dos materiais, técnicas e procedimentos o meio para realizar-se. Navega do suporte ao olho do observador. A presença física da pintura é uma proposição lançada a nosso potencial imagético sensível e repertório adquirido. A função da imagem pictórica entre outras é a de proporcionar prazer estético e fazer pensar. Levar quem a percebe, quem a confronta, observa, experimenta e realiza à um estágio ativo de imaginação construtiva e constituída de possibilidades, fruições, relações, concatenações.



Podemos dizer que a pintura surge na vida cotidiana como uma pausa, um lugar de encontro – espécie de suspensão das atribulações diárias funcionais – para proporcionar tanto ao seu produtor quanto interlocutor uma visão ampla sobre o significado e os sentidos das coisas.



Ela ( a pintura ) , é um lugar. Lugar este de suspensão poética e catarse onde dinâmicas contraditórias acumuladas por toda História da Arte são sintetizadas através do conhecimento específico da linguagem pelo artista, reduzindo-a à estruturas que comportam e carregam escolhas pessoais que por sua vez e não mais que por alguns instantes capturam olhares alheios para dentro de si autorizando um rápido passeio por sua intimidade secular.



Fazer, ver, entender e compreender pintura é uma maneira de experimentar o mundo da cultura em sua dimensão ontológica. Produzir pintura como arte é uma maneira visceral de experimentar a realidade dialogando com suas possíveis e diversas instâncias inventadas ou não. Fazer pintura é tecer comentários a cerca do mundo, da vida e da própria arte.



A construção bidimensional da imagem nos acompanha a pelo menos uns 50 mil anos – esquematizações antropomórficas , representações de animais, da figura humana, geometrizações, arabescos, abstrações, marcações, estilizações e outros sinais visuais estão intimamente ligados a própria gênese da cultura na criação da linguagem, apresentam antes de tudo um entendimento do humano de si e do mundo que o cerca – o que é a palavra a não ser um desenho de falar .



Sendo que através do domínio de técnicas rudimentares do desenho, pintura, gravura , escultura de maneira despojada para diversos fins – do ritual a auto-satisfação passando pela comunicação e educação, do gratuito a funcionalidade – as imagens tornaram-se poderosas aliadas na estruturação de um amplo sistema de códigos que proporcionam os mais diversos tipos e níveis de relações comunicacionais proporcionando a interação entre indivíduos – do alfabeto as partituras musicais, das placas de transito aos caracteres do computador, das fotografias do jornal as telas de cinema, da televisão, código Morse, sistema binário ( etc...) todo o espectro bidimensional atravessa nosso cotidiano seja na rua, em casa, no escritório, na escola, no ônibus, metrô, meios de comunicação em massa, publicidade, esporte, lazer, ciberespaço.



Há quatro décadas ou mais tentam engavetar a pintura como peça obsoleta de museu, não cansam de declarar seu anacronismo ante novas tecnologias, mas acontece que a pintura ao invés de morrer ; assim como deus morreu; continua viva e pulsando em diversos ambientes, desdobrando-se e reencarnando em outros meios e suportes como a fotografia, o cinema, o vídeo, a instalação, a colagem, designer gráfico, moda, ilustração, história em quadrinho, animação, capas de livros, cd’s, dvd’s, embalagens de produtos, displays, prateleiras de supermercados , vitrines de shoppings, superfície arquitetônica, designer urbano, web designer, grafite, tatuagem, cirurgia plástica, experimentos estéticos, biogenéticos e na própria pintura enquanto tal nos conta a academia : seja moderna , contemporânea ou tradicional.



Após oito séculos a frente das artes na cultura ocidental a pintura experimentou um declínio exorbitante de sua hegemonia cultural como a grande civilizadora do gosto estético “ patrona inconteste das artes plásticas”, sua dessacralização beirou ao desaparecimento principalmente após todo o experimentalismo autofágico da arte conceitual dos anos 60 e 70 do século XX. Quando toda elite institucional do mundo das artes declarava antecipadamente seu fim ela ressurgiu como Fênix sustentada pela mesma elite intelectual durante os anos 80 através do neo-expressionismo, “ bad painting”, nova abstração, grafite urbano, hiper-realismo .



Pintura é uma forma de pensamento, seu exercício é uma busca constante onde muitos erros vão definir os acertos do presente e do futuro. Ao falar de pintura enquanto arte somos poetas tanto no fazer quanto no observar. Para ambos é necessário atitude, intenção e disciplina.



Percepção e pintura são complementos, caminham juntas. A construção da bidimensionalidade permitiu a concepção da imagem plana, em suma : achatou, comprimiu o espaço tridimensional em um campo visual restrito a altura e largura, inventando a alquimia da massa de cor combinada e a representação ilusionista , formatou a tela e o quadro, preparou e alargou a consciência para uma compreensão hipotética do real e da realidade através de seu duplo orgânico. Pela primeira vez na História o humano através do ato pictórico ousou capturar o mundo e fazê-lo representação independente da própria tridimensionalidade apresentada pelas coisas naturais suplantando o fato , estendendo os limites entre o que é real ou não – tornando a tinta uma maneira de olhar e interpretar, entender e comentar as coisas. A pintura é a tataravó da virtualidade e do ciberespaço . Abstração, intensão e extensão num só lugar em um mesmo plano.



Podemos definir a pintura como arte de “n”, “x”, “y” maneiras: pensamento, ação, meio e linguagem, extensão do corpo. Porém é certo que após seus passos primitivos e todos os desdobramentos de sua função na arte egípcia, classicismo grego , arte pré-cristã, bizantina a pintura irrompeu na Europa como uma das mais altas expressões da estética e consciência de civilidade atrelada sempre aos grandes centros de poder político e religioso, sinônimo de status social , moral, ético, intelectual e financeiro principalmente a partir do renascimento, desdobrando-se no realismo verossimilhante da academia , do realismo, romantismo. Sendo que do antigo regime ao Barroco, passando pelo Neo-clássico a pintura arraigou-se e sedimentou-se no imaginário urbano como linguagem inconteste até que as vanguardas artísticas do século XX começaram sua implosão de dentro para fora visando uma espécie de ressignificação do ato pictórico e expansão de seu espaço interno. Busca essa deflagrada pela invenção da fotografia no século XIX que vai dar no expressionismo abstrato, escola de Nova York, informalismo até chegarmos na arte pop, povera e conceitual. Reação consciência de que a pintura a muito como arte aplicada chegara a outros lugares adotando outras técnicas, procedimentos, padrões.



Saída dos interiores das cavernas aos muros e arquiteturas assim como museus e galerias dos grandes centros urbanos até a interior de nossas casas e apartamentos, ao que parece e de maneira orgânica a pintura vem reformulando a si mesma durante milhares de anos – das caixas de Brillo e latas de sopa Campell entronizadas por Andy Warhol as mega-exposições e bienais internacionais – o artista sabe-se lá o porque continua e provavelmente continuará exercendo o ofício da pintura mesmo que disfarçado ou transmutado em outros suportes.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Texto Crítico / 2009

" A arte contemporânea manifesta-se através de uma liberdade nunca antes vista. Utilizando-se de suportes cada vez mais inusitados a fim de expressar temáticas das mais diversas , pode-se dizer que em arte contemporânea tudo é permitido e viva o legado de Duchamp!

Dessa maneira nosso olhar espanta-se diante de trabalhos realistas, que têm a coragem e a ousadia de se mostrarem claramente dentro desse atual panorama de significados ocultos, e por que não dizer, muitas vezes incompreensíveis.

O trabalho de Andrea Consentino perturba por justamente revelar-se , sem charadas ou exigência de repertórios amplos, sendo imagens acessíveis a qualquer olhar. E por falar em olhar, através da enorme escala a artista convida-nos a enxergar em close-up aquilo que normalmente permanece oculto.

Muito distante dos detalhes perfeitos alcançados através de recursos como o photoshop, na pintura de Andrea nos deparamos com aquilo que é realmente humano, desde a imperfeição de uma arcada dentária, até as inevitáveis rugas e marcas de envelhecimento.

Suas faces se expõem de forma incisiva, e através de expressões de dor, espanto ou travessura, nos deparamos com a nossa própria humanidade, com aquilo que nos aproxima e ao mesmo tempo nos diferencia.

Nesse sentido, é impossível sentir-se indiferente ao impacto causado pelas suas pinturas, que feitas à maneira tradicional, óleo sobre tela, revelam um desenho primoroso e trazem de volta à contemporaneidade um dos papéis fundamentais da arte, que é a identificação do espectador com o objeto artístico. "


Gabriela Albuquerque - crítica e curadora

sábado, 12 de dezembro de 2009

"Adriana"


150 x 190 cm
óleo sobre tela
2009

"Aadrian"


160 x 220 cm
óleo sobre tela
2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Nido / 2009"


180 x 130 cm
óleo sobre tela
2009

"Dona Maria / 2007"


140 x 120 cm
óleo sobre tela
2007

"Menina / 2007"


160 x 120 cm
óleo sobre tela
2007

" A volta / 2007"


180 x 140 cm
óleo sobre tela
2007

"Fernanda / 2007"

150 x 190 cm
óleo sobre tela
2007

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Série Libertações I / 2006


da Série "Libertações"
2006
160 x 90 cm
óleo sobre tela

Série Libertações II / 2006

da "Série Libertações"
esse é o II
2006
150 x 190 cm
óleo sobre tela

Série Libertações II / 2006

da Série "Libertações"

Série Libertações III / 2006



da Série "Libertações"
2006
140 x 180 cm
óleo sobre tela

Série Libertações III / 2006


escala...